Saberes da Boca pra Boca: saiba como foi o seminário

6 de agosto, 2026
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No dia 30 de julho de 2026, a Sala Alfredo Bosi do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo recebeu o seminário Saberes da Boca pra Boca: Educação Alimentar sob a Perspectiva da História Oral. O evento marcou o lançamento público da pesquisa qualitativa Interseccionalidade, Comida e Educação Alimentar e Nutricional: a História Oral de Professoras de Escolas Públicas do Município de São Paulo-SP, desenvolvida pelo Instituto Comida e Cultura no âmbito do programa Cozinhas & Infâncias.

Foram quatro horas de encontro — presencial e virtual, pelo YouTube — que reuniram pesquisadoras, professoras da rede pública, gestores, estudantes e pesquisadores de diferentes áreas em torno de uma pergunta que atravessa cinco anos de trabalho do ICC: o que a alimentação tem a nos ensinar sobre quem somos, de onde viemos e como podemos transformar o chão da escola?

Um acúmulo de cinco anos de história

A apresentação do evento foi conduzida por Ana Vasconcellos, jornalista e facilitadora do ICC, que situou o seminário como momento histórico do Instituto, depois de anos de saberes acumulados em ações formativas.

“Esse encontro é bem especial para o Instituto Comida e Cultura. Ele é fruto de um acúmulo de saberes que construímos há cinco anos”, disse ela ao abrir o evento, agradecendo às professoras que cederam suas histórias de vida para que a pesquisa existisse, às pesquisadoras que a construíram com atenção, afeto e escuta, e às pessoas que aceitaram o convite para aprofundar o diálogo.

A abertura institucional contou com palavras de Ana Estela Haddad, professora titular da Faculdade de Odontologia da USP. Sua presença marcou a parceria entre o ICC e o IEA-USP — uma parceria representada, ao longo desses anos, também pela interlocução da professora Patrícia Jaime, vice-diretora da Faculdade de Saúde Pública da USP e conselheira do ICC, que encerrou o seminário com as palavras finais.

Sobre pesquisa

A aresentação da pesquisa foi conduzida pelas três co-produtoras do estudo. Ariela Doctors, co-fundadora e adiretora geral do ICC, apresentou a justificativa, os objetivos e a relevância do trabalho. Lucia Guerra, pesquisadora-colaboradora do ICC, conduziu o público pelo percurso teórico e metodológico. Por fim, daniella brochado, co-fundadora e diretora pedagógica do ICC, trouxe os principais resultados e o que eles revelam sobre a Educação Alimentar e Nutricional nas escolas.

O estudo ouviu cinco professoras de EMEIs e CEMEIs da rede pública municipal que participaram da formação do Programa Cozinhas & Infâncias em 2023. Os resultados mostraram que a formação no Programa Cozinhas & Infâncias produziu transformações que extrapolaram o espaço escolar: mudou a forma como essas mulheres compreendem a alimentação, reconhecem sua própria ancestralidade e se percebem como agentes pedagógicas e políticas em seus territórios.

As vozes do chão da escola

A Mesa 1 – “Diálogos Interseccionais: EAN na Prática” foi o momento em que as vozes das professoras tomaram o centro. Mediada por Renata Marques, nutricionista clínica e presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional de Campinas, a mesa reuniu cinco educadoras de EMEIs da rede municipal: Bárbara de Souza Orlandin, Helia de Lourdes Machado, Zaira Kury Fabre, Maria Aparecida Vieira e Priscila Aparecida Santos de Oliveira.

Cada uma trouxe, a partir de sua experiência cotidiana, o que significa transformar a alimentação em prática pedagógica dentro de uma escola pública. Foram relatos sobre experimentação sensorial com crianças pequenas, sobre projetos que conectam comida e cultura como um convite a experimentar muitas formas de educar, de maneira transversal e emancipadora.

Por fim, o olhar crítico e propositivo

A Mesa 2- “Desafios da Investigação e da Prática da EAN Sistêmica e Interseccional” fechou o evento com visões de especialistas. Mediada por Jaqueline Moraes Teixeira, professora do Departamento de Saúde e Sociedade da FSP-USP e pesquisadora do Cebrap, a mesa reuniu Lígia Amparo (UFBA, participando online), Mônica Passarinho (Educação Sistêmica) e Helen Santos (PPG/USP).

O debate girou em torno de questões que a pesquisa levanta e que ultrapassam seus resultados: quem produz, valida e transmite o conhecimento no campo da saúde pública e da educação alimentar? Como a pesquisa qualitativa pode disputar espaço e legitimidade em um campo ainda dominado por abordagens quantitativas? Quais são as lacunas entre o que se sabe e o que se implementa nas políticas públicas de educação alimentar?

Uma das falas do público sintetizou bem o espírito desse bloco:

“Eu acredito que a nutrição e a educação têm que caminhar de mãos dadas. Essa articulação é muito importante. Assim como as crianças aprendem matemática, geografia, ciências, elas têm que aprender a comer. E como os professores estão em contato diário com as crianças, eles têm essa capacidade de transformar o ambiente, de levar o conhecimento da alimentação e do crescimento para as crianças — e impactar não só elas, mas também as famílias.”, revelou a nutricionista Renata Carneiro.


Conheça a pesquisa

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