Pesquisa sobre a metodologia do ICC é publicada em revista da Unicamp

A Revista Segurança Alimentar e Nutricional, da Unicamp, publicou nesta edição um artigo assinado por Ariela Doctors, Diretora Geral do Instituto Comida e Cultura (ICC), em parceria com a professora Betzabeth Slater Villar. O ICC nasceu da convicção de que a alimentação não se resume à nutrição de nossos corpos, mas entrelaça cultura, vínculo, identidade e cuidado. Dessa visão floresce o programa Cozinhas & Infâncias, voltado a educadores da rede pública infantil de São Paulo, que é justamente o coração prático do estudo destacado nesta importante publicação da Universidade Estadual de Campinas. No artigo, Ariela e Betzabeth propõem uma metodologia inovadora em Educação Alimentar e Nutricional, tecida a partir de pensadores como Ken Wilber, Daniel Goleman, Peter Senge e o filósofo africano Bunseki Fu-Kiau. Em uma costura bonita e corajosa, as autoras refletem bem o jeito do ICC de olhar para a educação alimentar, com profundidade, cuidado e interseccionalidades. Ver esse trabalho reconhecido em um espaço acadêmico como este é motivo de celebração para todos nós do Instituto Comida e Cultura. Para ler o artigo na íntegra, visite o site da Revista Segurança Alimentar e Nutricional.
Entre a FOMO e a fome: As big techs vão nos devorar?

Vício em telas explorado por corporações se conecta a várias esferas da vida: da difusão de ultraprocessados à alimentação precária com celulares em mão
Organizações de Brasil, México e Panamá realizam webinar internacional sobre Educação Alimentar e Nutricional nas Américas

Evento reúne representantes das três Américas para debater avanços e estratégias conjuntas na inserção da EAN nos currículos escolares e nas políticas públicas
Ultraprocessado na cantina: proibir basta?

Confira a entrevista com a pesquisadora Laura Scaciota sobre como integrar a Alimentação Escolar e a Educação Alimentar e Nutricional (EAN)
Inscrições abertas! Conheça os projetos do FNDE que celebram a Educação Alimentar em todo o Brasil

Inscrições abertas! Saiba mais sobre a Jornada de Educação Alimentar e Nutricional e o concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar.
Cozinhas & Infâncias em Sorriso: um percurso de formação e troca

Por Flora Camargo e Alessandra Luvisotto
Infância em primeiro lugar: da lei ao prato no Dia Mundial da Alimentação

O recado é claro: comemorar a saída do mapa não substitui entregar comida adequada e fresca, todos os dias, para as infâncias brasileiras.
Não faltam políticas, o que falta é fazer junto.
Educar sobre comida é educar para a vida: participe da campanha pela Educação Alimentar nas escolas
No Dia Mundial da Alimentação (16 de outubro), o Instituto Comida e Cultura (ICC) lança, junto com o Greenpeace, Instituto Fome Zero, ACT Promoção da Saúde e Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), a campanha “A Hora e a Vez da Educação Alimentar” — uma mobilização nacional que convida a sociedade a assinar uma petição online pedindo a implementação efetiva da Educação Alimentar e Nutricional (EAN) nos currículos escolares de todo o país. Então, vaos nessa?! Assine a petição aqui. A Educação Alimentar e Nutricional já é garantida por lei no Brasil desde 2009 (Lei nº 11.947) e reforçada em 2018 (Lei nº 13.666). Mas, na prática, ainda não saiu do papel na maioria das redes de ensino. Ou seja, milhões de crianças e adolescentes seguem sem acesso a conteúdos que os ajudem a compreender de onde vem a comida que consomem, quais são seus direitos e como fazer escolhas mais saudáveis e sustentáveis. “Temos uma legislação avançada, que reconhece a Educação Alimentar como um direito. Mas falta vontade política para tirá-la do papel. Enquanto isso, vemos crianças cada vez mais expostas à publicidade de ultraprocessados, sem acesso a informações críticas sobre alimentação — e isso precisa mudar”, afirma Ariela Doctors, coordenadora geral do Instituto Comida e Cultura. Dia Mundial da Alimentação: um dia de luta O lançamento da campanha no Dia Mundial da Alimentação reforça a urgência de garantir uma política pública que una educação, cultura alimentar, sustentabilidade e cidadania.Isso porque, em um cenário marcado pela sindemia global (conceito que explica o entrelaçamento da obesidade, da desnutrição e das mudanças climáticas), a EAN se apresenta como uma estratégia essencial para enfrentar as desigualdades e fortalecer o direito à alimentação adequada e saudável desde a infância. “A educação alimentar e nutricional pode ser uma estratégia de integração dos componentes curriculares, enriquecendo a aprendizagem e desenvolvendo senso crítico quanto às escolhas alimentares”, destaca Giorgia Russo, especialista do Idec. Inclusive, esta campanha é fruto de uma articulação inédita entre organizações da sociedade civil comprometidas com a soberania alimentar e a educação. O ICC, ao lado de suas alianças, reforça o convite para que educadores, governos e cidadãos se engajem nessa pauta.Educar sobre comida é educar para a vida — e garantir a Educação Alimentar nas escolas é formar gerações mais conscientes, saudáveis e críticas. Educar sobre comida é educar para a vida. Garantir a Educação Alimentar nas escolas é formar gerações mais conscientes, saudáveis e críticas. Junte-se a nós nessa mobilização!
quando a touca não cabe e a gente não quer caber

Na cozinha, tudo deveria caber: o cheiro do café, a lembrança da infância, as vozes que cozinham juntas. Mas e quando a touca expulsa? A cozinha é mais que lugar de panelas e receitas: é território de partilhas, onde a oralidade se encontra com a memória. Ali, emoções e conexões se acendem; histórias proseadas enquanto o bolo cresce no forno; o aroma do café anuncia e os cheiros despertam lembranças da infância. É nesse espaço que corpos se reconhecem e se sentem pertencentes. O programa Cozinhas & Infâncias nasce com esse propósito: inserir a alimentação no currículo pedagógico como parte essencial de uma educação emancipatória. Uma educação que dialoga com Culturas, Histórias, Sistemas Alimentares, Biodiversidade, Relações Étnico-Raciais e o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena. Em 2023, a formação chegou à rede pública de educação infantil de São Paulo, numa parceria entre o Instituto Comida e Cultura, a Secretaria Municipal de Educação (CODAE) e a Faculdade de Saúde Pública da USP. No Laboratório de Práticas Culinárias, professoras, professores e cozinheiras se encontram: aprendem, trocam, cozinham juntas. Mas havia algo muito sutil, deveria ser invisível e gritava: a touca descartável. Obrigatória por norma sanitária e símbolo de um higienismo herdado do século XIX, ela deveria proteger alimentos e corpos. Mas seu tamanho ‘padrão’ não cabia em todas as cabeças. Não acolhia os cabelos crespos, afros, volumosos, que representam uma estética identitária, de beleza e de auto afirmação. E quando não cabe, a touca vira desconforto, reforça estereótipos racistas, dá sinais de inadequação e indica um não lugar. Afinal, essa touca foi feita para quem? Quem pode estar e transitar nesse espaço? Nossa metodologia fala de pertencimento, mas como experivivência-la na prática se até a touca expulsa? Reconhecendo isso, o Instituto Comida e Cultura passa agora a adotar toucas que acolhem e abraçam todos os tipos de cabelo. E pede desculpas por não ter feito antes. Pois foi necessário trazer mais diversidade para nossa equipe, para realmente olharmos para isso com a devida importância. Pois para quem está a todo tempo lutando para ser quem é, isso não passaria despercebido. Porque a cozinha é lugar de pertencimento, construção de um estar inteiro, singular e coletivo..E se a cozinha é espaço de ensino, resistência, precisamos ressignificá-lo para ser também espaço de dignidade, de celebração e cuidado — onde nenhuma mulher, nenhum corpo, nenhum cabelo se sinta fora do lugar. *texto de daniella brochado, em colaboração com mariana soares, ana vasconcellos e thalita beltrame. Brasil, 02 de setembro de 2025.
A hora e a vez da Educação Alimentar e Nutricional: Seminário foi marcado por um convite à mobilização

Saiba como foi o evento que aconteceu no Instituto de Estudos Avançados da USP